Levantamento da Anvisa junto às Vigilâncias Sanitárias locais indica a utilização do produto em procedimentos capilares.

O uso de formol como alisante de cabelo não é permitido, mas essa prática é comum em uma parcela dos salões de beleza do país. É o que indica um levantamento inédito realizado pela Anvisa junto às Vigilâncias Sanitárias (Visas) de estados e municípios. De acordo com a pesquisa, 35% de um total de 664 questionários respondidos indicaram o uso irregular de formol por salões de beleza.

Em 61,6% dos casos, a suspeita é de que a adição do formol ao alisante de cabelo tenha sido feita pelo próprio fabricante do produto. Outros 22,4% dos pesquisados informaram que a adição ou manipulação pode ter sido feita pelo profissional cabelereiro. Já em 15,9% dos casos, os órgãos de vigilância sanitária identificaram as duas situações.

O objetivo da iniciativa foi conhecer as experiências dos profissionais das Vigilâncias locais, bem como os resultados das ações de inspeção junto aos salões de beleza, visando o planejamento de ações para reduzir o uso irregular de formol.

O formol não pode ser usado em processos de alisamentos de cabelos porque é nocivo à saúde. Em contato com a pele, pode causar irritação, queimadura, descamação e até queda de cabelo, entre outros danos. Se for inalado, pode provocar ardência nas vias respiratórias, coriza, falta de ar, tosse e dor de cabeça. Além disso, instituições internacionais reconhecem o efeito cancerígeno do produto.

O levantamento foi realizado pela Coordenação de Serviços de Interesse para a Saúde (CSIPS) da Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES) da Anvisa. A coleta dos dados ocorreu por meio de formulário eletrônico, no período de 6 de agosto a 6 de setembro deste ano.

Ações educativas
Além de identificar o uso irregular do formol em procedimentos capilares realizados nos salões de beleza, o questionário aplicado levantou informações sobre as medidas adotadas pelas Vigilâncias Sanitárias para impedir essa prática.

De acordo com as respostas, 36% dos profissionais declararam que o órgão local tem experiência com ações educativas junto aos estabelecimentos, sendo que 61,2% observaram redução da prática irregular nos salões de beleza inspecionados.

A orientação geral e verbal no momento das inspeções foi a abordagem mais descrita pelos profissionais (33,4%), o que demonstra que o processo de educação sanitária pode ser realizado por meio de estratégias de fácil execução. Entretanto, a Anvisa ressalta que é importante a diversificação e a utilização de outras práticas de intervenção para obter resultados positivos.

Também foram citadas como principais ações educativas o uso de panfletos e folhetos para divulgar informações sobre o assunto (17,6%) e a realização de palestras (13,7%), além de atividades como oficinas, cursos e seminários (7,3%).

Entre as três ações mais citadas, a realização de palestras foi considerada com o maior potencial para atingir resultados positivos (100%), seguida da distribuição de panfletos e folhetos (69%) e de orientações gerais (63,9%).

No Brasil, existe um número elevado de estabelecimentos de beleza, o que representa um desafio para a aplicação de medidas educativas por parte das autoridades sanitárias. De acordo com dados do Portal do Empreendedor, em novembro deste ano havia um total de 599,8 mil microempreendedores individuais inscritos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) como “Cabeleireiro, manicure e pedicure”.

Participação regional
Ao todo, 735 formulários foram preenchidos, porém 71 continham informações replicadas. Por este motivo, 664 questionários foram considerados válidos. A coleta contou com a participação de municípios de 21 estados e do Distrito Federal, o que representou a adesão de 81% das unidades federadas. Amapá (AP), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Roraima (RR) e Tocantins (TO) não enviaram contribuições.

Juntas, as Vigilâncias Sanitárias das regiões Sudeste (58,4%) e Sul (25,4%) responderam por 84,8% das participações no levantamento. Entre os estados, destaque para Minas Gerais (MG), com 32,5% do total de formulários respondidos, seguido de São Paulo (23,5%) e do Paraná (15,5%).

Legislação
No Brasil, o uso do formol é permitido em cosméticos apenas com a função de conservante ou endurecedor de unhas, com concentrações máximas de 0,2% e 5%, respectivamente – Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 15, de 2013.

Para mais informações, acesse o Relatório “Coleta de Informações Junto às Vigilâncias Sanitárias Locais sobre o Uso Irregular de Formol em Salões de Beleza”.